
O jornalista não é apenas um mediador social. Não é apenas o profissional que reporta assuntos de interesse coletivo e facilita diálogos na sociedade. O jornalista é, por essência, um escritor. Um cronista de seu tempo. Como tal, tem que conhecer as potencialidades e fraquezas da linguagem escrita. Tem que torná-la agradável e informativa. De preferência, com originalidade.
Foi sobre isso que o redator-chefe de Bravo!, João Gabriel de Lima, conversou com os alunos do Curso Abril na manhã do dia 7/2. Ele resgatou características da profissão às vezes esquecidas na correria das grandes redações. O público recordou o prazer de escrever. Alguns se lembraram dos primórdios da escolha da profissão.
João Gabriel aconselhou: "Mesmo que o chefe não tenha gostado do lead criativo que você fez, não desista. Tente convencê-lo da idéia". Ele comentou que, hoje em dia, se espera que o jornalista tenha estilo. Uma revista que privilegia essa característica é a The New Yorker, que publica diversos trabalhos autorais.
Quem a compra espera encontrar no texto de Jon Lee Anderson histórias cheias de humanismo, com detalhes sobre os envolvidos. Já das matérias de Seymour Hersh são esperados grandes furos jornalísticos. Constituem-se, assim, diversas vozes no mesmo veículo.
No entanto, a polifonia não é unanimidade. Há revistas que têm estilo único. É o caso da The Economist, que sequer tem reportagens assinadas. Como lembrou João Gabriel, esse tipo de veículo também pode desenvolver idéias originais. Ele citou a capa da The Economist sobre a eleição de Lula em 2002, cuja manchete era "A vitória do Liberalismo".
Notoriamente adepta a tal corrente política e econômica, a revista partiu do princípio de que o fato de um operário chegar ao poder demonstra liberdade no campo político. Dessa forma, dentro de seus conceitos surpreendeu os leitores.
O desenvolvimento do estilo particular foi comentado por João Gabriel. Ele disse que não há um guia para tanto. "O aperfeiçoamento da arte da escrever só vem com o tempo, e cada pessoa tem um tempo diferente". Entretanto, pontou que algumas ações podem contribuir para esse processo.
Entre elas, o mergulho na pauta, a busca por uma idéia original sobre o assunto a ser retratado, a clareza na exposição e a surpresa em alguns momentos. Os detalhes dessas quatro etapas (e exemplos de sua aplicação) podem ser conferidos aqui.
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