
Dos shortinhos apertados de Axl Rose aos shortinhos apertados de Beyoncè. Do metal dos Ratos de Porão à poesia cantada do Teatro Mágico. Do Rock in Rio II ao Tim Festival e Skol Beats. Das vinhetas contra a Guerra do Iraque às vinhetas contra a alienação nas eleições presidenciais de 2006. De 1990 para cá, a MTV Brasil passou por diversas mudanças. Estilos musicais, temas e eventos marcaram época. O desafio permaneceu: falar na linguagem jovem sobre música e comportamento.
Cris Lobo, diretora de conteúdo da emissora, contou aos alunos do Curso Abril as novas táticas para cumprir essa missão. Confira a seguir o que foi discutido no encontro que aconteceu na manhã de 30/1:
A morte do videoclipe
Base da programação da MTV desde seu surgimento, o videoclipe teve sua morte "decretada" pela emissora há alguns anos. A decisão gerou desconfiança dos telespectadores mais antigos e de setores da imprensa. Cris esclareceu o significado dessa "sentença": "Música não é só videoclipe. Não existe só um jeito de se falar dela".
Como exemplo, a diretora mencionou programas que a abordam em formatos diversificados. O Jornal da MTV tem espaço para shows ao vivo durante sua transmissão (as bandas, inclusive, comentam as matérias do dia). O MTV + documenta com trechos de clipes, entrevistas e informações apresentadas por um VJ a carreira de grupos sob o tema da semana (como bandas em família, góticos, mulheres do rock, etc). O Discoteca MTV, por sua vez, documenta em formato tradicional álbuns brasileiros importantes, com depoimentos de quem os produziu, imagens de shows e de arquivo.
Cris citou ainda programas autorais, "o jeito que a MTV mais gosta de falar de música". O Top Top, que tem temas tão variados quanto os do MTV +, é um deles. Listas do mundo da música são mostradas de forma opinativa e bem humorada. A "fórmula" também é usada no Então tá, vamos falar de música, que retrata a história de estilos musicais sob o olhar crítico do produtor, locutor e roteirista Téo Popovic.
Como no rádio
Enquanto as inovações na abordagem musical da emissora agradam a uma parte da audiência, o público mais saudosista sente falta do "elemento-supresa" da exibição de videoclipes. "Quando eu ligo a TV, eu posso descobrir uma coisa que talvez eu não soubesse que gostasse. É como no rádio", comentou a aluna de Cinema do Curso Abril Denise Marchi.
A diretora de conteúdo respondeu que o MTVLab (exibido de madrugada e de manhã) cumpre essa função na emissora. "A MTV matou o videoclipe, mas não totalmente". Cris falou também que ele tem destaque em premiações organizadas pela emissora (como o VMB, Vídeo Music Brasil). "O mercado de produções está em baixa, mas os clipes ainda aparecem em alguns programas".
Overdrive
As mudanças mais recentes atingiram também o site da MTV. Transformado no Overdrive, um portal multimídia, ele tem conteúdo exclusivo e complementa a programação da TV. "Funciona de forma orgânica. Não vai para a Internet só o que sobrou da televisão", explicou Cris.
Exemplos disso são as chamadas do Jornal da MTV para a estréia de videoclipes no Overdrive e os bastidores do VMB exibidos no site. Ele também disponibiliza séries curtas (algumas em animação), links para blogs relacionados à música e realiza alguns concursos. Está no ar o que vai escolher a próxima vocalista do grupo curitibano Bonde do Rolê.
De acordo com Cris, a série O Vingador (em animação) é um caso interessante pois segue o conceito de Conteúdo Gerado pelo Usuário (uma das tendências atuais da Internet, como já havia comentado no Curso Abril o diretor da Abril Digital, Victor Civita).
Ela é produzida por Gabriel Alves, vencedor do VMB 2007 na categoria Você fez o clipe, que premia vídeos elaborados pelos telespectadores para os hits do ano. Seu personagem roqueiro ganhou a simpatia da emissora, que o contratou para fazer spots para a Internet.
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