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Thaís Oyama, editora de Veja, dá dicas de entrevista aos alunos do Curso Abril

Henrique Gualtieri
A jornalista lembrou de casos difíceis em sua carreira

08 de Fevereiro de 2008, 16:36

Simpatia demais ou distanciamento do entrevistado? Como abordar assuntos delicados? Existe técnica para fazê-lo colaborar quando não quer? Fazer uma entrevista está muito além de pegar um bloquinho de notas e elaborar algumas perguntas. A interação com o outro requer alguns métodos. Foi isso que Thaís Oyama, editora de Veja, mostrou aos alunos do Curso Abril no dia 29/1. Confira a seguir os principais trechos do bate-papo:  

Perguntas delicadas

A jornalista foi categórica: "Não existe pergunta delicada demais que não possa ser feita". Como exemplo, lembrou da entrevista que Pedro Collor concedeu à Veja em 1992 sobre irregularidades no governo do presidente Fernando Collor. Na época, a mãe deles havia dito que as acusações feitas por Pedro na imprensa contra seu irmão vinham do fato de ele estar com distúrbios mentais. A credibilidade da fonte, portanto, estava em risco.

Para eliminar dúvidas, os repórteres começaram a sabatina perguntando a Pedro Collor: "O senhor se considera louco?". A editora comentou a importância do tom em um momento desses: "Tem que demonstrar interesse. Demonstrar que você quer a informação, não que você já a tem".

Outra pergunta delicada teve que ser feita à rainha da Suécia em 2000, quando Thaís Oyama entrevistou-a para as Páginas Amarelas de Veja. "A orientação do meu chefe foi que eu não saísse de lá sem que ela comentasse a anorexia da princesa Victoria. Era o único assunto que a assessora disse que eu não poderia abordar...".

A solução foi conquistar a simpatia da entrevistada e arriscar. "Ela me deixou bem à vontade, inclusive conversou em português. Mais para o fim da entrevista, comentei: 'A senhora, que não tem problema em falar sobre esse assunto (diferentemente de muitos pais...), como vê a doença de sua filha?...'". Foi o suficiente para a rainha tocar no assunto.

Também é delicada a tarefa de entrevistar políticos que sofrem acusações públicas e não querem comentá-las. A tática ensinada por Thaís foi jogar a pergunta para terceiros nesses casos. "Senhor deputado, seus inimigos dizem que o senhor é acusado de cometer diversos crimes. Como o senhor se defende?".

Instrumentos

A editora de Veja costuma usar dois gravadores em suas entrevistas. "Se um parar, o outro está funcionando". Além disso, faz anotações para lembrar de pontos da conversa que a fonte não tenha aprofundado ou de que tenha se desviado.

Para a jornalista, o roteiro em tópicos é melhor, pois "não engessa a entrevista". Ele também é útil caso a fonte queira saber quais serão os assuntos da conversa. "Em casos científicos é recomendável enviar", observou Thaís.

Se der errado...

Às vezes, o empenho do jornalista e as técnicas empregadas não são suficientes para fazer a entrevista fluir. Quando a fonte não demonstra interesse na conversa e responde vagamente às questões, não há muito a se fazer. "O melhor é agradecer e ir conversar com o assessor depois", explicou a editora.

Thaís lembrou que ele deve facilitar o encontro, bem como preparar seu cliente para a entrevista. Caso a fonte não queira falar, o melhor é adiar a conversa. Poupa gastos com deslocamento e o desperdício de esforços, como mencionou a jornalista. 


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