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Luzes sobre a tela grande: Philippe Barcinski comenta técnicas e estilos cinematográficos

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Luzes sobre a tela grande: Philippe Barcinski comenta técnicas e estilos cinematográficos

Raoni Maddalena
O cineasta também analisou as produções brasileiras da atualidade

01 de Fevereiro de 2008, 21:32

O diretor dos premiados curtas Palíndromo e Janela Aberta e do longa Não por Acaso, Philippe Barcinski, se reuniu com os alunos do Curso Abril de Jornalismo no dia 25/1 para dar dicas de técnicas de cinema e explicar sua linguagem. A platéia puxou ainda um debate sobre estilos e movimentos que marcaram época. A seguir, os principais pontos do encontro.

Roteiro de cinema

Philippe mostrou que o roteiro não precisa de expressões literárias (relacionadas a sentimentos) ou de termos técnicos (como a posição em que a câmera deve estar) para orientar a gravação. Uma improvisação esclareceu a idéia: "O rapaz entra na sala. Uma mão toca o interruptor [percebe-se um plano fechado]. Ele vai até o púlpito e cumprimenta a platéia [o plano tem que ser aberto]".

O cineasta lembrou que a escrita de períodos curtos tende a dar mais agilidade às cenas. Já os períodos longos geralmente retratam planos seqüência. "Apesar de existirem algumas formas de se escrever, é possível subverter a gramática cinematográfica", contou, mencionando a mistura de prosa e poesia conseguida em alguns filmes.

Linguagem cinematográfica

Alguns períodos do cinema foram destacados por Philippe para mostrar a evolução e diferenças da linguagem dessa área.

Da década de 10 (época de seu surgimento) até os anos 80 (período da consolidação dos blockbusters), a narração cinematográfica flertou com correntes artísticas e experimentou modelos variados.

O clássico (muito presente em filmes hollywoodianos contemporâneos) inclui três atos: a situação em equilíbrio; seu desequilílbrio e as tentativas de reavê-lo (peripécias); sua reorganização e desfecho.

Contrapondo-seao modelo, alguns cineastas inspiraram-se em movimentos artísticos mais amplos (como Surrealismo, Expressionismo e Futurismo) para compor suas obras. O Cinema Novo no Brasil e a Nouvelle Vague na França merecem destaque entre essas experimentações.

Clique aqui para ver a linha do tempo montada por Phillipe Barcinski sobre a linguagem cinematográfica.

Produções nacionais

A situação atual do cinema brasileiro também foi comentada por Philippe. O cineasta o considera importante para a formação do imaginário coletivo, especialmente em uma época em que itens culturais estrangeiros - norte-americanos, principalmente - têm grande penetração no país. "Para cada 10 Jack Bauers, tem que haver um Capitão Nascimento, um Zé Pequeno", considerou, lembrando o sucesso de bilheteria dos filmes Tropa de Elite e Cidade de Deus.

O diretor citou algumas questões referentes ao custo dos filmes. "Um longa-metragem não sai por menos de um milhão e meio de reais. A bilheteria nacional não garante esse retorno financeiro. Aí entram os patrocínios do governo, e mesmo projetos de exibição em outros países".

Questionado se esse patrocínio pode interferir na liberdade artística, no sentido de condicionar as obras a um viés comercial, Philippe respondeu que há espaço para as duas formas de cinema, tanto industrial quanto de arte. "É possível que um mesmo diretor faça um filme mais conceitual e outro com apelo popular. Às vezes dá para mesclar elementos das duas áreas também", ponderou.

Essa tática foi a que aplicou a seu último filme, Não por acaso. Distribuído nos circuitos comercial e alternativo, o longa teve cerca de 120 mil espectadores. Foi patrocinado pela Globo Filmes e pela Fox.

Ao abordar as tendências atuais do cinema nacional, Philippe mencionou a influência da forma documental e de técnicas realistas. No campo temático, a violência dos grandes centros urbanos e a miséria no interior do Nordeste foram marcantes na última década. No entanto, o diretor acredita que o retrato da classe média vem crescendo nos últimos anos, tendo como cenário as grandes metrópoles.

Tal tendência está em evidência no cinema argentino contemporâneo, que enfoca a situação econômica das famílias e dramas particulares. "Lá eles dizem que o melhor cinema latino é o brasileiro. Aqui, dizemos que o melhor cinema é o deles", comentou.


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