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Precisa construir um projeto gráfico? Não se apavore

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Precisa construir um projeto gráfico? Não se apavore

Palestra mostra como planejar etapas e destaca a importância do trabalho em equipe

Marina Piedade
O diretor de Arte Alexandre Ferreira comentou características do design de Playboy e da revista A

30 de Janeiro de 2008, 16:59

Alexandre Ferreira, diretor de Arte da Playboy, e Bruno D'Angelo, diretor de Arte de Internet da Abril (núcleo Esporte/Motor), passaram dicas e experiências na área de Design aos alunos do Curso Abril de Jornalismo na manhã dessa quinta-feira, 24/1. O foco da conversa foi elaboração de projetos gráficos.

Bruno começou o encontro mostrando 10 perguntas que devem ser consideradas antes de se começar um projeto. Elas dizem respeito aos objetivos, seus antecedentes e etapas da elaboração:

1. Qual é o projeto editorial?

2. É um redesign ou é uma revista nova?

3. O que e onde pesquisar?

4. Por onde eu começo?

5. Qual é o grid?

6. Que fontes escolher?

7. Quais elementos gráficos servem para a revista?

8. Que tipo de imagem você usa na revista?

9. O que fazer com a capa?

10. Vai dar tudo certo no final?

O projeto editorial refere-se à missão da revista, seu público-alvo e seus recursos. Portanto, é preciso estudá-lo antes de se começar um projeto gráfico, lembrou D'Angelo.

Ele também destacou o trabalho de pesquisa para a produção do design e a necessidade de se estudar cada um de seus componentes, como o grid, as fontes, as imagens e os elementos gráficos. "Quais são os elementos decorativos que tem a ver com a revista? Quando é pertinente usá-los? É preciso considerar o espaço que eles ocupam", considerou o diretor de arte.

Sobre a elaboração da capa, D'Angelo frisou que ela tem que ter identidade, pois é o cartão de visitas do veículo. A última pergunta apresentada - Vai dar tudo certo no final? - é mais um lembrete para quem está começando. "Não vai dar tudo certo no final. Mas vocês vão sobreviver", brincou Bruno.

Trabalho em grupo

O diretor de Arte da Playboy, Alexandre Ferreira, lembrou os alunos de que o projeto gráfico é um trabalho coletivo. "É preciso mapear a equipe com a qual se está trabalhando. Ver quais são as experiências e gostos de cada um, ver o que bate. Os gostos em comum são fundamentais".

O trabalho não se restringe aos designers envolvidos, como mencionou Alexandre. Fotógrafos e jornalistas também têm vez. "Tem que ouvir a opinião de todos. Às vezes a pessoa nem é da área de Design, mas tem uma idéia boa, que se encaixa bem na proposta".

Sobre sua experiência na revista, que começou há menos de um ano, ele contou que elaborou um redesign e que existe um empenho da equipe para deixá-lo mais sofisticado, menos popular. "Queremos resgatar a tradição da Playboy. É uma revista que sempre teve grandes colunistas, entrevistas marcantes. Não se resume aos ensaios".

Sinalizando as mudanças cogitadas, o diretor de Arte mencionou a edição especial com a
capa da atriz Juliana Knust que saiu no fim do ano passado. Nela, havia apenas uma chamada e o rosto de Juliana em evidência.

Alexandre falou ainda sobre o papel da combinação entre texto e imagem na mensagem a ser transmitida. Como exemplo, ele citou a matéria sobre a banda Calypso que saiu na edição de setembro do ano passado.

Segundo o designer, o tema já era pouco convencional para a revista. Corria-se o risco de se caricaturar a banda, dado seu caráter popular e bem peculiar na indústria fonográfica.

O tratamento gráfico da reportagem foi "sóbrio", de acordo com Alexandre. Não houve utilização de elementos e cores que pudessem remeter à idéia de brega. Foram escolhidas fotos (algumas em preto e branco) com a multidão de fãs da banda e momentos íntimos dos entrevistados.

"Numa hora dessas, não se pode 'brincar' com o design", disse o diretor de Arte, explicando que a idéia era abordar o tema de uma forma diferente das de outras publicações, mais adequada ao público da Playboy.

No encontro com os alunos, Alexandre também falou sobre sua experiência na Revista A (voltada à classe alta), que trata de artigos de luxo em geral. Ele comentou as possibilidades de se trabalhar o design nesse tipo de veículo.

"Podemos usar mais espaços em branco, por exemplo. Pode-se expor apenas um produto por página", contou o diretor, que diferenciou a publicação de revistas de segmentos populares, onde a quantidade excessiva de informações por página é valorizada.

O que também permite essa "liberdade gráfica" é o retorno financeiro da revista. Alexandre lembrou que o custo de páginas com grandes espaços vazios é alto no meio revista. No entanto, isso não é problema tendo-se um público como o de A. "Eles nem perguntam o preço quando vão comprar a revista", brincou.


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