"Dizem que ele é um italiano grandão, bem humorado". "Ele tem sotaque norte-americano". "Ele é um homem muito culto", especulavam os alunos pelos corredores da Abril, momentos antes da chegada de Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, para a abertura oficial do Curso de Abril de Jornalismo (CAJ) 2008, na segunda-feira, 21/1.
RC cumprimentou com simpatia o público e logo mostrou o tom de bate-papo que o encontro teria. Ele falou sobre a história do CAJ, os investimentos atuais da Abril, preceitos jornalísticos essenciais e respondeu às perguntas dos alunos. A seguir, os principais pontos da palestra.
O começo de VejaRoberto Civita contou que o Curso Abril surgiu há 40 anos para formar a equipe que integraria o projeto mais audacioso da editora naquele momento: a revista Veja. Cem profissionais de diversos estados foram selecionados para fazer um curso de três meses e, ao final, 50 deles foram contratados. O jovem time se empenhou para produzir a primeira revista semanal informativa do Brasil. Durante seis anos, Veja deu prejuízo para a Abril. "Eu sempre pedia mais três meses [para os chefes do grupo], e mais três meses, e mais três meses. Até que um dia a revista se estabeleceu no mercado", revelou RC.
Questionado a respeito de críticas que a revista Veja recebeu de setores da imprensa quando publicou a polêmica
matéria sobre Che Guevara, em 3 de outubro do ano passado, RC disse que é importante ponderar sobre a consistência das críticas. "Não é possível agradar a todos", concluiu.
Ele disse ainda que não gostou do primeiro terço da reportagem, mas que concorda, em parte, com seu conteúdo.
Base do sucessoO presidente da Abril listou algumas características essenciais para a prática jornalística bem sucedida. Entre elas, está conhecer bem o público leitor (quem ele é, o que espera), para produzir conteúdo adequado.
Outra característica é a confiabilidade, adquirida com a precisão dos relatos. Civita diz que o veículo jornalístico precisa ser uma fonte certa para o leitor. "'Por que eu tenho certeza sobre determinado assunto? Porque li na revista de minha confiança'", exemplifica o publisher (clique
aqui para ler todas as dicas apresentadas por Roberto Civita).
O futuro é eletrônico
RC comentou que a Abril está investindo em mídias digitais sem esquecer da tradição da empresa no meio impresso. Ele chamou a atenção para as habilidades que um jornalista multimídia precisa ter: saber filmar, fotografar, captar áudio e editar material eletrônico.
Civita falou que a convergência digital tem levado o próprio CAJ a mudar - neste ano o curso conta com profissionais de Cinema e desde o ano passado seleciona profissionais de Rádio e TV e multimídia, além de design, jornalismo e fotografia.
E as outras regiões?As alunas de Texto Júlia Medeiros e Camila Costa pontuaram o olhar jornalístico para além do eixo-Rio São Paulo. Júlia questionou a abordagem fraca de determinados estados (como o Rio Grande no Norte) em revistas de abrangência nacional (que deveriam contemplar todo o país).
Civita disse que é preciso considerar a representatividade desses estados na circulação total das revistas, pensar onde está o público. "As pautas têm que ter o maior apelo possível, para a maior quantidade possível de pessoas".
Camila, por sua vez, indagou Civita sobre os investimentos da empresa em sucursais, a fim de se conhecer melhor outras regiões do Brasil. RC falou que é necessário pensar no custo-benefício das filiais e citou a Internet novamente, dessa vez como fonte de pesquisas sobre o que acontece em outros locais.
Romeu x DomRoberto Civita foi questionado pelo aluno Kalleo Coura, de Texto, sobre o posicionamento da editora frente ao segmento GLS. "No Curso Abril do ano passado, foi desenvolvido o projeto da revista Romeu, voltada ao público gay masculino. Apesar de ter sido elogiada na avaliação final, não houve investimentos nesse sentido. Alguns meses depois, a concorrência lançou a revista Dom, de mesma temática. Como o senhor vê isso?".
O jornalista disse que outras prioridades foram consideradas no orçamento da Abril em 2007. Entre elas, os lançamentos da Revista da Semana e Gloss. "São apostas. Depende do momento", explicou.