

Uma outra paulistana, no cantinho da redação, chama a atenção pelo visual. Cabelos raspados fazem dela uma mulher de atitude. A também designer Lila Botter mantém o corte há quatro anos. E, diferente da maioria de suas colegas do sexo feminino, salão de beleza não é sua praia: "Sou eu mesma quem corto, a cada duas semanas. Ontem mesmo foi dia de cortar". Empenhada na equipe de Veja, cuja missão é desenvolver uma pauta sobre a mulher brasileira, ela não tem medo de desafios. "Eu já consegui superar uma depressão", conta com um largo sorriso.
E tem mais outro designer de São Paulo (calma, logo chegarão os representantes do mundo do texto!), Rogério Domingues, não gosta muito de dar entrevista. "Vocês jornalistas fazem uma perguntinha e querem que a gente disserte a respeito", diz ele, na tentativa de explicar suas respostas monossilábicas. Sobre o cabelo black power, diz que, ao contrário de Lila, não é uma questão de atitude: "Eu apenas parei de cortar o cabelo. Sei lá, não teve uma intenção". E confessa um desafio que tem que encarar na primeira semana de Curso Abril: "Eu tenho problema em decorar nomes".
Já Francesco Pugliesi precisa saber o nome de todos. Ou pelo menos tentar acertar, com ajuda de uma colinha (um papel com a foto e o nome de todos). Afinal, são 63 alunos. Francesco não é aluno do curso, mas, sim, da produção. Ele garante não se atrapalhar com tanta gente, tantos pedidos: "Esse já é o meu segundo Curso Abril, sou macaco velho". Mesmo assim, tem uma coisinha que ainda o deixa preocupado: "O problema será na hora deles fazerem o pagamento".
E enquanto a redação ferve, no corredor, do lado de fora, estão três forasteiros, em busca de água gelada. Enquanto o copo não enche, falam de suas agruras e pequenas conquistas nos projetos. O designer Victor Guerra, de Brasília, está feliz com os caminhos que acaba de descobrir. O rosto confirma. Hugo Vidotto, jovem jornalista paranaense, está satisfeito em voltar à ativa: "Fazia dois meses que sentia falta disso, de jornalismo na veia". Completa o trio o carioca Juan Torres, que se sente mais uruguaio, apesar do sotaque praiano: "É que minha família toda é uruguaia". Ele confessa que o "x' da fala carioca é motivo de brincadeiras entre os colegas, que fazem questão de "tirar onda". Falando em onda, o moço diz que o calor da redação lembra sua cidade natal e dá uma sugestão: "Os paulistas poderiam transformar essa cratera aí do metrô ao lado num piscinão".
Miguel Arcanjo é aluno do Curso Abril de Jornalismo 2007
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