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Ramon Salaverría, especialista em jornalismo digital, é otimista quanto ao futuro da profissão

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Ramon Salaverría, especialista em jornalismo digital, é otimista quanto ao futuro da profissão

23 de Agosto de 2006, 18:32

O Diretor do Laborátorio de Comunicação Multimídia da Universidade de Navarra e especialista em jornalismo digital, Ramon Salaverría, visitou a Editora Abril e participou do Clube de Reportagem, grupo de jornalistas da casa que promove reuniões sobre assuntos relevantes para a profissão. Além de abordar os efeitos e oportunidades que o jornalismo on-line criou, o professor espanhol falou sobre as novas linguagens digitais.

Mudanças
No século XX, eram as mídias de massa ou mass media, conceito criado pela Escola Americana - cujos principais expoentes são Harold Lasswell, Daniel Katz, Paul Lazarsfeld  e Wilbur Schramm -, que ditavam os rumos da comunicação. Mídias de massa porque buscavam atingir não um único público, mas toda a massa de leitores e espectadores. Hoje, segundo Ramon, com a emergência do jornalismo on-line surgem as massas de mídia. Tratam-se de milhares de pequenas mídias - blogs, sites, comunidades do Orkut, canais no YouTube - que tornaram-se viáveis por causa do advento da Internet.

Um dado interessante relativo à rede, é que graças a ela, pela primeira vez em várias décadas, a leitura de notícias cresceu entre a faixa etária de 20 anos, segundo pesquisa do Pew Research Center. "Ora, se o jornalismo digital foi capaz de promover esta mudança, trata-se de uma grande oportunidade para a profissão, e não de uma ameaça como muitos afirmam", diz Ramon. A pesquisa ainda aponta que tanto os leitores de jornais on-line, quanto os de impresso, valorizam não só as notícias do dia-a-dia, mas principalmente as coberturas mais aprofundadas e segmentadas.

Segundo Ramon, os sites noticiosos já passaram a ser rentáveis. Entretanto há um paradoxo: a Internet é o meio de comunicação que mais se expande no mundo, fato que não é acompanhado pelo crescimento do investimento publicitário, que cresce em ritmo muito menor e é ainda modesto quando comparado a outros meios. Levando-se em conta o montante de verba publicitária, nenhum meio bate a televisão.

Características
O jornalismo digital caracteriza-se por ser, ao mesmo tempo: hipertextual, interativo, multiplataformas e policrônico.

O uso de links, que permitem entrelaçar unidades de conteúdo textual e audiovisual, é uma característica bem explorada na Internet, meio que não segue o padrão linear tradicional. Ainda em comparação com as outras mídias, é a que mais permite uma comunicação entre o público e o jornalista.

Integração entre vídeo, áudio, figura e texto, de forma que realmente haja uma complementação entre estes elementos e que não ocorra redundância, é um dos principais desafios do jornalista digital. "É preciso estar atento para não criarmos um 'Frankenstein' da comunicação", brinca Salaverría. Por fim, o jornalismo digital é policrônico, ou seja, abarca várias temporalidades, fruto das constantes atualizações e da possibilidade de acessarmos conteúdos antigos a qualquer momento.

Inovações (e cheiros)
Entre as novas linguagens presentes no jornalismo digital, Ramon destacou o uso da nuvem de tags, elemento gráfico muito comum em blogs, que visa facilitar a navegabilidade dos leitores. Os tags destacam as palavras mais citadas nas matérias publicadas no site, de forma que quanto mais páginas do site conterem a palavra, maior ela fica. O diário argentino Clarín é um dos que já adotou essa linguagem.

A nuvem de tags é apenas uma das novidades que a Internet é capaz de proporcionar. "O jornalismo digital ainda é embrionário. Enquanto temos cerca de dois séculos de jornalismo impresso, a Internet possui apenas 12 anos", comenta Salaverría, que sonha com a possibilidade da transmissão de odores via Internet - sim, segundo ele, daqui há algum tempo isso será possível.
 


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