
Durante dois anos, Klester Cavalcanti, atual editor de Contigo, viveu na Amazônia. De 1998 a 2000, como correspondente de Veja, o jornalista fez matérias sobre temas emblemáticos para a região, como a questão indígena, grilagem de terra e trabalho escravo. Foi principalmente sobre essa experiência que ele conversou com os alunos do Curso Abril de Jornalismo, dia 7 de fevereiro, na terça-feira passada.
Bastante envolvido com jornalismo investigativo e com a temática dos direitos humanos, Cavalcanti realizou grandes pautas durante o período em que esteve na região norte do país. "Sozinho, eu cobria 61% do território nacional", brincou. Ficou conhecida a matéria que fez sobre roubo de terras e que culminaria na CPI da Grilagem de Terras no Congresso. Essas e outras experiências na Amazônia foram copiladas no livro "Direto da Selva (2002)", publicado pela Geração Editorial.
Em 2004, Cavalcanti lançaria seu segundo livro-reportagem, "Viúvas da Terra - Morte e Impunidade nos Rincões do Brasil (Planeta)", pelo qual levou o Prêmio Jabuti 2005. A história começou com uma matéria para a revista Terra e acabou virando um livro sobre o drama da violência agrária no país.
Há dois anos, convidado pelo diretor de redação, Edson Rossi, para participar do projeto de reestruturação de Contigo, Cavalcanti topou esse novo desafio. A revista já tinha quase quarenta anos e procurava um novo jeito de cobrir celebridade. "É um assunto que cada vez mais ganha espaço na mídia", comentou. A publicação mudou de cara e inclusive levou o último Prêmio Abril de revista do ano. Mas, às vezes, pinta uma saudade do dia-a-dia na rua. "O melhor elogio que alguém pode me dar é me chamar de repórter", revelou.
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